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Inflamação crônica: o que é e como ela age silenciosamente no organismo
Nutrição & Saúde

Inflamação crônica: o que é e como ela age silenciosamente no organismo

Dra. Patricia SousaDra. Patricia Sousa3 min de leitura
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#inflamação#saúde#PCR#dieta anti-inflamatória#envelhecimento

Inflamação não é ruim por definição. A inflamação aguda é uma resposta de defesa do organismo — faz um corte cicatrizar e combate infecções. O problema é quando essa resposta não se desliga: a inflamação crônica de baixo grau é silenciosa, persistente e está na raiz de praticamente todas as doenças crônicas modernas.

O que é inflamação crônica?

Diferente da inflamação aguda — que tem início, pico e resolução —, a inflamação crônica é um estado contínuo de ativação imunológica de baixa intensidade, sem agente infeccioso ativo. O sistema imune fica em alerta permanente, liberando citocinas pró-inflamatórias (IL-6, TNF-alfa, PCR) que danificam tecidos com o tempo.

Revisão publicada na Nature Medicine (2019) nomeou esse fenômeno de "inflammaging" — a inflamação relacionada ao envelhecimento — e a identificou como um dos principais mecanismos do envelhecimento biológico acelerado.

O que causa inflamação crônica?

  • Dieta ultraprocessada rica em açúcar e gorduras trans
  • Obesidade visceral (o tecido adiposo abdominal é pró-inflamatório)
  • Estresse psicológico crônico (eleva cortisol e citocinas inflamatórias)
  • Sono insuficiente ou de má qualidade
  • Tabagismo e exposição a poluentes
  • Disbiose intestinal (desequilíbrio da microbiota)
  • Sedentarismo
  • Menopausa (a queda do estrogênio remove parte da ação anti-inflamatória)

Doenças associadas

A lista é longa: doença cardiovascular aterosclerótica, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, Alzheimer, alguns cânceres, artrite reumatoide, lúpus, doença inflamatória intestinal, depressão e envelhecimento cutâneo acelerado.

Como medir?

O marcador mais acessível na clínica é a Proteína C Reativa ultrassensível (PCR-us). Valores acima de 1,0 mg/L indicam inflamação leve; acima de 3,0 mg/L, alto risco cardiovascular por inflamação crônica. Outros marcadores: IL-6, fibrinogênio, homocisteína.

O que funciona para reduzir a inflamação crônica

Alimentação anti-inflamatória

A Dieta Mediterrânea tem a evidência mais sólida entre os padrões alimentares anti-inflamatórios. Meta-análise no JAMA Internal Medicine (2015) mostrou redução de 30% no risco cardiovascular com sua adoção. Priorize: azeite de oliva, peixes gordurosos (salmão, sardinha), vegetais coloridos, frutas vermelhas, nozes e leguminosas.

Movimento

O exercício aeróbico regular reduz IL-6 e TNF-alfa e eleva a adiponectina, que é anti-inflamatória. Trinta minutos de caminhada diária já produzem efeito mensurável.

Sono e estresse

Dormir menos de 6 horas aumenta PCR e IL-6. Reduzir o estresse crônico — com meditação, respiração ou psicoterapia — tem impacto real nos marcadores inflamatórios.

Suplementos com evidência

  • Ômega-3 (EPA+DHA): 2 a 4g/dia reduz IL-6 e triglicerídeos
  • Curcumina: inibe o NF-kB, principal regulador da resposta inflamatória
  • Vitamina D: deficiência está associada a PCR elevada
  • Magnésio: sua deficiência ativa vias inflamatórias

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Dra. Patricia Sousa

Autora

Dra. Patricia Sousa

Endocrinologista com foco em obesidade, diabetes e distúrbios metabólicos. Membro da SBEM.

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